Aconteceu na última segunda-feira (24/10) no CEDECA Interlagos (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente) a conversa “Os efeitos do Golpe na política da criança e adolescente, nenhum direito a menos” que para além dos temas:  reforma do ensino médio e os efeitos do golpe nas políticas para as mulheres, trouxe luz à discussões mais profundas, como ‘’quais os próximos passos da esquerda para se atingir a população periférica, principal elemento afetado pela conjuntura de retrocessos?”.

A conversa contou com a presença de militantes e moradoras/es da região, entre elas/es: Regiane Soares do Coletivo Abayomi Aba e Rusha Montcho que trouxe um recorte de gênero, raça e sexualidade à discussão, Geraldo do MEOB – Movimento de Educadores Organizados pela Base que tratou da reforma do ensino médio, Djalma Costa – ex-membro do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente) e diretor do CEDECA Interlagos e Thiago Borges do site de jornalismo Periferia em Movimento na mediação  da conversa.

A conversa pretendeu realizar uma análise em relação aos efeitos da atual conjuntura política  em relação aos direitos e retrocessos, como a PEC 241, o projeto Escola sem Partido e a criminalização das ocupações das escolas que chega a cerca de mil no país, propondo uma reflexão as/aos presentes de quais as alternativas e estratégias necessárias e possíveis diante de um cenário tão pessimista para a periferia.

Um dos pontos cruciais para o avanço das lutas da periferias considerados durante a conversa, foi a questão dos recortes sociais e qual a necessidade de que os movimentos de esquerda o façam, onde frequentemente há conflituosidade em considerar qual a temática central de luta (classe, raça, gênero, sexualidade). Para Regiane Soares militante da região de Parelheiros há alguns pontos importantes que esta(s) esquerda(s) não podem deixar de considerar, sendo que as temáticas de luta não podem ser consideradas isoladas e sim transversais, para ela, há ainda uma disputa que é  “ideológica” na esquerda, onde ao invés de se enxergar a estrutura se observa as lutas de forma isolada, o que enfraquece a mobilização frente a opressão do Estado. Regiane traz que pautar-se a partir de uma visão marxista  apenas, não contempla a diversidade de pautas que temos na periferia “onde ter só uma visão de classe, não basta”,  e afirma que considerar esses recortes não é separar a luta, ao contrário, é unificá-la.

Precisamos “entender que nós estamos dentro de uma sociedade que não se pode pautar classe sem pautar raça, e que não se pode pautar classe e raça, sem pautar gênero (…) e sexualidade”

Os Efeitos do Golpe na Política da Infância

 Pensando no próprio recorte de gênero levantado na discussão, também se considerou a presença feminina na mesa de discussão, onde apesar de três das/os quatro componentes da mesa serem negras/os, apenas uma era mulher.

Djalma Costa do CEDECA Interlagos traz a discussão a questão da necessidade da formação de base por parte da esquerda, questionando como a discussão realizada na segunda-feira poderia chegar a população da região do extremo sul a partir da ideia de empoderamento dessas pessoas em relação às pautas políticas que as afetam. Para Djalma, a atual esquerda (que é fragmentada) não contribui para a questão da formação de base, e questiona como a discussão sobre o extermínio da juventude é levantada por essas esquerdas com a população periférica.

Djalma resgata o cenário político de outros países, em especial da América Latina, relacionando este cenário aos avanços da extrema direita. Djalma coloca que não há novidade nos avanços da direita no Brasil, já tendo ocorrido na Venezuela, Paraguai , Argentina e Equador, considerando interessante realizarmos um olhar mais atento ao cenário político da América Latina e buscando avançar na questão da formação de base.

“Como conseguiremos fazer um enfrentamento a este modelo  econômico na avenida Paulista ou no Largo da Batata se o povo não se sentir parte dele? (…) Eu só acredito nesse empoderamento quando a formação de base acontecer, inclusive respeitando as particularidades educacionais da população que nós estamos falando.”

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Agradecemos a todas/os que compareceram e contribuíram para a conversa, esperamos que possamos avançar em nossas lutas e articulações, considerando sempre as especificidades das pessoas e territórios. Só a luta muda a vida!

#nenhumdireitoamenos
#foratemer