Carta de Repúdio as ações arbitrárias e autoritárias da gestão do espaço CEU Parelheiros

Na concepção de Hannah ARENDT, o espaço público (domínio público) é o lugar onde o homem se realiza por completo, ou seja, é onde o Ser ultrapassa a mera condição de vivente e se completa, sendo político. Somente no espaço público, desnudo de sua vida estritamente privada, o homem se relaciona, interage e age com a finalidade de transformar a comunidade em que se insere.

É com base nessa concepção e ainda sob o direito legal determinado e fundamentado no inciso XV e XVI artigo 5º – que discorre acerca do direito fundamental ao espaço público – da Constituição Federal, que o Fórum de Cultura de Parelheiros vem por meio desta, repudiar as ações arbitrarias e autoritárias da atual gestão do CEU Parelheiros na figura de: Selma Pereira e; Clóvis Roberto; frente aos fazedores de cultura, a comunidade e demais usuários do espaço público (CEU Parelheiros).

Em uma longa trajetória de quase 7 anos de atividade, a educadora Jessica dos Santos Alves coreografa, professora e idealizadora do projeto Família Unidos Pela Dança, não só, faz uso dos espaços do CEU Parelheiros, como torna o local protagonista do conteúdo cultural disseminado na comunidade. Nas apresentações, nos mais variados locais da cidade de São Paulo o Unidos Pela Dança leva consigo o nome do CEU Parelheiros, ao mesmo passo que é um grupo extremamente importante no processo de construção cultural da região.

No entanto, no dia 29 de outubro ao chegar no CEU Parelheiros para o ensaio do grupo – como ocorre todos os finais de semana – a Família Unidos Pela Dança foi impedida de usar os espaços disponíveis no CEU. Sem aviso prévio. Sem justificativa. Sem diálogo entre a responsável do grupo e a gestão do CEU.

Em uma atitude de represaria ao enfrentamento da postura arbitrária e autoritária da atual coordenadora de cultural do CEU Parelheiros Vanessa Hengler e Sebastião Moreira Maia, os coletivos e grupos culturais da região de Parelheiros estão sendo impedidos de ocupar este espaço público. A coordenadora menospreza a trajetória, trabalho e importância destes grupos no fazer cultural de Parelheiros. Desta vez, a represaria recaiu sobre a Família Unidos Pela Dança, sob os quase 7 anos de atividade voluntária, sob uma história feita por fazedores e multiplicadores de cultura comprometidos com o bairro.

O Fórum de Cultura de Parelheiros REPUDIA veemente o fechamento do CEU Parelheiros aos grupos, coletivos e indivíduos do fazer cultural da região. Parelheiros concentra mais de 53 bairros locais com vivências diferentes; que em sua maioria não conta nem ao menos com infraestrutura; iluminação; não possui espaços como praças; parques ou qualquer lugar de lazer, tem como referência a estrutura do CEU Parelheiros na promoção da igualdade, oportunidade e vivência cultural. Que hoje, além das grades, dos seguranças, das salas trancadas, possui uma ORDEM que impede a continuidade do trabalho e da ação voluntária da Família Unidos Pela Dança e de tantos outros grupos, que se afastaram ao serem IMPEDIDOS de promover cultura dentro deste espaço.

Informamos que: NENHUM PORTÃO SE FECHARÁ DIANTE DE NOSSAS AÇÕES PARA A COMUNIDADE. ESTAMOS PARA ALÉM, DE QUALQUER JOGO POLÍTICO DE INTERESSES PESSOAIS. QUE TODOS OS ESPAÇOS PÚBLICOS (que são raros) DISPONÍVEIS EM PARELHEIROS SERÃO POR NÓS OCUPADOS. QUE NOSSA COREOGRAFIA, INTERPRETAÇÃO, DEBATE, OFICINAS NÃO IRÃO RECUAR A QUALQUER TENTATIVA DE NOS SUPRIMIR. QUE A GESTÃO ARBITRÁRIA E AUTORITÁRIA DE QUALQUER ESPAÇO PÚBLICO EM PARELHEIROS SERÁ ENFRENTADA DE TODAS AS MANEIRAS CABÍVEIS. QUE NOSSA LUTA NÃO SERÁ SILENCIADA. QUE A NOSSA ORGANIZAÇÃO, COERÊNCIA E SABEDORIA É A FERRAMENTA DEMOCRÁTICA CAPAZ DE TRANSFORMAR E EXIGIR O DEVIDO RESPEITO E ESPAÇO.

Por fim, todas as medidas legais cabíveis serão tomadas em relação ao impedimento por parte do CEU Parelheiros, no que concerne ao uso do espaço público pelo grupo Família Unidos Pela Dança.

SOLICITAMOS, IMEDIATAMENTE UMA RETRATAÇÃO PÚBLICA DOS COORDENADORES DE CULTURA Vanessa Hengler; Sebastião Moreira Maia e do GESTOR Clóvis Roberto para com a FAMÍLIA UNIDOS PELA DANÇA, bem como, a liberação dos espaços disponíveis no CEU para que os ensaios do grupo possam continuar, da forma competente, íntegra e extremamente importante para a região, como ao longo destes quase 7 anos de atividade.

QUE SE FAÇA VALER O DESEJO E O DIREITO DA COMUNIDADE.
QUE SE FAÇA VALER A IMPORTÂNICA DO FAZER CULTURAL.
QUE SE FAÇA VALER A CONSTITUIÇÃO, A DEMOCRACIA, O DIREITO AO USO DO ESPAÇO PÚBLICO.

FÓRUM DE CULTURA DE PARELHEIROS.