Por Thiago Borges

Na sexta-feira de Carnaval, mais de 600 crianças e adolescentes do Circo Escola Grajaú saem às ruas com o Bloco da Lona. Mais do que mostrar as habilidades com instrumentos de percussão, acrobacias e malabaris, eles aproveitam a folia para reivindicar seus próprios direitos – reflexo do trabalho realizado diariamente durante as atividades das quais participam no local.

Inaugurado em 1987 pelo Governo do Estado de São Paulo, o Circo Escola Grajaú tinha como objetivo atender crianças e adolescentes de famílias de baixa renda com atividades complementares ao período escolar. Em 2010, o serviço foi municipalizado e passou a ser vinculado à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS). Depois do convênio ser finalizado com a organização anterior o serviço permaneceu fechado, sendo reaberto em agosto de 2014 após a SMADS firmar convênio com o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDECA Interlagos, a partir de proposta apresentada em audiência pública.

Apesar das mudanças advindas do processo de municipalização, o espaço continua sendo uma importante referência no Grajaú. Em média, 600 crianças e adolescentes de 06 a17 anos e 11 meses frequentam o serviço em dois turnos, de manhã e à tarde. Mas engana-se que “tirar a molecada da rua” é objetivo do Circo ou formar artistas para o picadeiro – expectativa comum entre famílias e as próprias crianças.

Ao ser municipalizado, o espaço se tornou um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, na modalidade “Circo Social”. Dessa forma, o serviço utiliza o circo e as diferentes linguagens artísticas como instrumentos pedagógicos para estimular o desenvolvimento de habilidades e competências dos enturmandos, contribuindo para a ampliação do universo informacional, cultural, artístico e recreativo, atendendo às necessidades e interesses dos usuários e respeitando o direito ao convívio e o exercício de escolhas.

17022017_ Circo EscolaA proposta é reconhecer meninos e meninas como sujeitos de direitos, mobilizar a comunidade e promover sua defesa para enfrentar riscos e a vulnerabilidade social, fortalecer os vínculos familiares e com a comunidade, garantir direitos e superar violências. Para isso, o Circo Escola Grajaú oferece oficinas de danças urbanas, capoeira, música, esporte, percussão, graffiti, teatro, aéreos, malabares e acrobacia.

“Não separamos as idades. Crianças e adolescentes convivem juntas. Na oficina de dança e teatro, por exemplo, isso é ótimo. Para outras atividades, é um desafio pedagógico pensar em uma linguagem que seja atraente para todos. Mas essa é uma escolha política e pedagógica”, explica Elaine Souza, gerente do Circo Escola Grajaú.

Os desafios vão muito além de lidar com públicos de diferentes idades para a equipe de 26 pessoas, entre técnicos, educadores e operacionais. O serviço lida com crianças e adolescentes com deficiência física ou intelectual, que chegam ao Circo Escola Grajaú encaminhados por outros serviços da Assistência Social. O serviço atende também, crianças e adolescentes que já sofreram algum tipo de violência, física, sexual ou psicológica, passaram por processos de acolhimento em abrigos, estão fora da escola ou em defasagem escolar e, em alguns casos, encontram-se em situação de refugiados.

“A primeira articulação [para encontrar alternativas para esse problema] é nossa, o primeira atendimento com a família é nosso, enquanto Proteção Social Básica, porque isso também é uma forma de compreender o que está acontecendo pois às vezes essa violência está sendo banalizada”, comenta Elaine.

17022017_ Circo Escola 2Além do acompanhamento próximo, em 2016 o Circo Escola Grajaú tratou de uma série de temáticas que fazem parte do dia a dia dessa molecada, como a abordagem policial com adolescentes, o genocídio promovido pelo Estado e o fortalecimento da identidade racial, por exemplo. Questões de gênero, sexualidade e machismo também foram destacado – desde a menstruação até músicas que objetificam o corpo feminino. “É muito legal poder ouvir dos meninos que eles se perceberam reproduzindo machismo nas relações com as meninas”, lembra Elaine.

As turmas também participaram de atividades no território, como os encontros de dança Sexta na Vila (que acontecem no CEU Vila Rubi),  o Abayomi Aba (em Parelheiros) e o ato contra o genocídio Sucupira Resiste em memória de nossos jovens (na comunidade Sucupira).

Em 2017, a proposta é ampliar o envolvimento de crianças e adolescentes do Circo Escola Grajaú com ações socioculturais que já acontecem no território, inserir alimentação orgânica e fortalecer um trabalho iniciado ano passado com as famílias.

 

INSCREVA-SE!

O Circo Escola Grajaú (Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos) está com as inscrições abertas para crianças de 06 a 11 anos e 11 meses e para adolescentes de 12 a 17 anos e 11 meses em oficinas de Artes (Graffiti), Corpo & Movimento (Danças urbanas e Esporte), Cultura Popular & Artes Circenses (Capoeira, Acrobacia, Contorção/Aéreos e Malabares), Teatro & Musicalização (Teatro, Música e Percussão).

As inscrições para o Circo Escola Grajaú acontecem todas as sextas-feiras das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 16h. Para isso, é necessário apresentar os seguintes documentos:

  • RG do responsável
  • RG ou Certidão de Nascimento da criança ou adolescente.
  • Comprovante de endereço
  • Número de NIS (da criança e do responsável)
  • Declaração Escolar (Caso esteja estudando)
  • Foto 3X4

Mais informações

Telefone: (11) 2609-3439

E-mail: circoescolagrajau@cedecainter.org.br