Por Iuri Salles, na Vaidapé 

Foto: André Zucollo e Fernando Noronha

A nova prática de abordagem da Polícia Militar de São Paulo consiste em vasculhar o celular da pessoa enquadrada. Os policiais checam fotos, mensagens de aplicativos, agenda e todo tipo de informação que você tenha no celular.

Talvez isso seja uma novidade para muitos jovens brancos de classe média, mas é uma realidade bem presente da ponte pra cá. Há uns três anos, enquanto eu comia um hot dog na vila, com um amigo e outra amiga, fui testemunha desse método pela primeira vez. Fomos abordados pela ROTA, o policial mandou a gente descer do carro, e o celular ficou dentro do veículo. O PM fez a revista e voltou bufando, perguntando de quem era o celular e por que o aparelho estava no carro e não dentro do bolso. Ele começou a questionar: “O que tem nesse celular? Foto de palhaço? Música de bandido? Não mente pra mim que eu fico louco e começo a bater em todo mundo, homem, mulher. Vai, desbloqueia o celular aí”. Foi nessa hora que eu me liguei que privacidade não é um direito do periférico.

Os anos foram passando e novos casos aconteceram. Hoje é quase um padrão nas abordagens dentro das quebradas. Fomos trocar ideia com os jovens da periferia de São Paulo que já passaram por isso. Os nomes aqui serão fictícios por motivos óbvios.

Carlos relata que quase foi preso por mensagens no celular. “Eu ripava [vendia drogas na biqueira] ainda, tinha acabado de sair do moio e tava com o meu lucro todo trocado no bolso. O policial me abordou e pediu pra desbloquear o celular. Meu irmão tinha me mandado mensagens. Falando pra eu sair dessa vida, me dando uns conselhos, e o policial leu. Ele me disse: ‘Nem precisa explicar nada, já era. Você tá preso, olha o cheiro de droga nesse dinheiro’. No final do enquadro, quando eu pensei que já estava em cana, eles me liberaram e falaram: ‘Um a zero pra você ladrão. Hoje você vai embora, por que a gente não vai ficar lá no DP com você’” relata Carlos.

Tem até policial caguetando aquela pulada de cerca. É o que aconteceu com Silvio, por exemplo. “Eles me enquadraram e eu tava com uma amiga. Aí eles me chamaram de canto, viram que eu tinha passagem e pediram pra ver o meu celular. Depois que eles viram, um policial voltou e falou pra ela: ‘Sabia que você tá andando com ladrão? Você sabe que ele fala com outra? E vai encontrar ela hoje à noite.”

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