Nesta sexta-feira (28 de abril), dia de Greve Geral em todo o Brasil, mais de 60 trabalhadoras e trabalhadores do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDECA Interlagos cruzam os braços contra a “Reforma” Previdenciária e a “Reforma” Trabalhista propostas pelo governo golpista de Michel Temer.

Coerente a sua luta por direitos humanos na perspectiva de crianças e adolescentes, o CEDECA Interlagos suspense seus serviços e projetos no dia por entender que a aprovação dessas “Reformas” ampliaria as violações de direitos que buscamos enfrentar e aprofundaria ainda mais as desigualdades sociais.

Conforme deliberação da assembleia geral realizada na última quarta-feira (19 de abril) na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e a Família do Estado de São Paulo (SITRAEMFA) pela paralisação da rede conveniada e em plenária do Fórum de Assistência Social Capela do Socorro e Parelheiros (FAS CP) que ocorreu no mesmo dia na Prefeitura Regional da Capela do Socorro, a partir de meia-noite de 28 de abril e ao longo de 24 horas não funcionarão os serviços frutos de convênio com a Prefeitura de São Paulo – tais como Circo Escola Grajaú, Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV Capela do Socorro) e o Núcleo de Proteção Jurídico-social e Apoio Psicológico (NPJ Capela do Socorro) –, além do Projeto RUAS e outras áreas do CEDECA Interlagos.

Por que paramos?

Em um cenário de extrema precarização do trabalho – na cidade de São Paulo, por exemplo, 96% da administração de serviços de Assistência Social são realizados por meio de convênios –, a “Reforma” Trabalhista propõe a mudança de mais de 100 artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e coloca em risco a segurança mínima para os trabalhadores ao estabelecer a negociação direta entre patrão e empregado, o que pode dificultar a obtenção de férias, aumentar a jornada de trabalho para 12 horas por dia e permitir a redução de salários sem acordo coletivo.

Se não bastasse isso, a “Reforma” da Previdência enviada por Michel Temer ao Congresso Nacional em dezembro do ano passado quer dificultar a aposentadoria ao propor idade mínima de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres pararem de trabalhar. E, para receber o valor integral na aposentadoria, o contribuinte precisa pagar o INSS durante 40 anos.

Enquanto um morador do Alto de Pinheiros (uma das regiões mais ricas da cidade de São Paulo) vive em média 80 anos, a expectativa de vida em Cidade Tiradentes (Extremo Leste) foi de 53 anos em 2015, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os distritos do Extremo Sul de São Paulo, onde o CEDECA Interlagos atua, acompanham esse indicador. Com a maior população da cidade, o Grajaú tem a quarta pior expectativa de vida: um morador da região vive em média 56 anos. Em Parelheiros, a expectativa de vida em 2015 foi de 59 anos.

Sem todos os seus direitos garantidos pelo Estado, quem está nas bordas já vive menos. E, considerando-se o alto índice de trabalhadores e trabalhadoras na informalidade, as medidas do governo federal tendem apenas a esgarçar ainda mais o mínimo de proteção social oferecida a nossa população. Por isso, o CEDECA Interlagos se manifesta contra essas propostas por entender que essas medidas aumentam a vulnerabilidade das famílias mais pobres e, por consequência, de crianças e adolescentes. Por isso, somamos na luta e, no dia 28 de abril, fechamos as portas e vamos às ruas para lutar contra o retrocesso.