Na Rádio Agência Nacional

O  bullying costuma deixar marcas. “Eu já fui vitima do bullying sim, na época do primário [ensino fundamental]. Foi um periodo muito complexo para mim e o tipo de bullying que eu sofri foi por causa das minhas caracteristicas fisica. Hoje em dia, eu tenho um sério problema por causa da minha aparência.”

O depoimento é de Rebeca Cavalcanti. Assim como ela,  dezenas de crianças e adolescentes  são alvo de piadas e boatos maldosos, além de serem excluídos pelos colegas.

No Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes é vítima frequente de bullying nas escolas, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2015, que teve participação de  adolescentes de 15 anos. 
A avaliação é aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
Nove por cento se disseram vítimas frequente, enquanto 17,5% revelaram sofrer pelo menos uma vez por mês algum tipo de  bullying.

O psiquiatra Daniel Martins de Barros, do  Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, explica  que o sofrimento pode ser extremo. 
“Bullyng, na verdade, é aquela  sensação que o adolescente, o jovem, a criança, de que ele não tem saída, que ele está sendo subemetido a um sofrimento psicológico muito intenso e que ele não sabe lidar”, explica Martins de Barros.

Teresa Andion, vice-presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia diz que o bullying pode ser incentivado de forma indireta, pela escola, porque se baseia muitas vezes na diferença. “Diferença religiosa, diferença até desse físico, às vezes uma criança que usa o óculos com uma lente muito mais grossa. Às vezes é uma criança mais gordinha.  Às vezes, nas festas juninas das escolas a criança que é mais gordinha é sempre o padre”, destaca a psicopedagoga.

Teresa Andion ressalta as consequências do bullying: “se a gente for para a definição do bullying como uma violência moral, psicológica e acontecida de forma intencional, por repetidas vezes ela traz como consequência a baixa autoestima e o baixo rendimento escolar.”

Existem estudos que revelam que o bullying sofrido na adolescência pode ser a causa de depressão em adultos e levar até ao suicídio.

Alexandrina Meleiro, da Associação Brasileira de Psiquiatria, alerta que o problema deve ser enfrentado, mas se houver comprometimento, os pais e professores têm que ajudar. “Às vezes a  pessoa já tem um comprometimento na sua autoestima, no seu modo de reagir em grupo. Então, é importante que os pais, os professores, as pessoas que lidam tanto com crianças quanto adolescentes deem  instrumentos, noções, bagagens sobre como reagir diante do bullying.”

Para Rebeca Cavalcanti, que já foi vítima de bullying, o respeito se aprende também dentro de casa. 
“A criança vai espelhar o que vê dentro de casa. Se o referencial dela ensinar para ela o respeito com as diferenças, ela vai poder passar isso para os colegas, para o convivio social”, diz Rebeca.

Desde o ano passado, está em vigor a lei que obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e combate o bullying por meio da capacitação de docentes e equipes pedagógicas, assim como a orientação de pais e familiares para identificar vítimas e agressores.

A lei também estabelece que sejam realizadas campanhas educativas e fornecida assistência psicológica, social e jurídica às vítimas e aos agressores.