Nesta terça-feira (16 de maio), o CEDECA Interlagos somou forças a demais instituições e órgãos que compõem a Rede Socioassistencial Direta e Conveniada do SAS Capela do Socorro em um bloco de rua para conscientizar a população sobre a importância do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado no próximo 18 de maio. Logo pela manhã, crianças, adolescentes e trabalhadores desses serviços se concentraram em frente ao portão 09 do Autódromo de Interlagos e saíram em cortejo percussivo até a avenida Teotônio Vilela, na altura do portão 07 do Autódromo. Adolescentes que fazem percussão no Circo Escola Grajaú fizeram parte da bateria do bloco. Confira abaixo as fotos do bloco de rua.
Bloco de Rua #18deMaio

Para mobilizar a sociedade brasileira contra a violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes, 18 de maio foi estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em 18 de maio 1973, a menina Araceli de 8 anos foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES). Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado, e os agressores nunca foram punidos.

Bruna Ribeiro e Juliana Patroni, trabalhadoras do CEDECA Interlagos que atuam no Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV) da Capela do Socorro – administrado pela organização por meio de um convênio municipal, explicam a importância desta data para o combate a esses tipos de violência:

A cada 11 minutos uma pessoa é violentada sexualmente no País, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes, e o crime é praticado por familiares ou pessoas próximas da família. Em 2014, foram realizadas 24.575 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, segundo a Fundação Abrinq. Desse total, 19.165 foram de abuso e 5.410 de exploração sexual (quando envolve dinheiro ou troca de favores). Mas nem todos os casos são revelados, pois envolvem sentimentos de medo, vergonha e culpa.

Esses e outros assuntos relacionados foram abordados durante o cortejo do bloco de rua. Veja no vídeo de uma transmissão ao vivo feita na página do CEDECA Interlagos:

Formações internas

Ao longo da semana, entre os dias 15 e 19 de maio, cerca de 600 crianças e adolescentes de 06 a 17 anos atendidos no Circo Escola Grajaú – Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos que o CEDECA Interlagos administra em convênio com a SMADS vão discutir o enfrentamento à violência sexual infanto-juvenil durante oficinas de diferentes linguagens (como acrobacia, aéreos, dança, teatro, graffiti, capoeira, música, etc).

Já na sexta-feira (19), o CEDECA Interlagos reúne crianças e adolescentes em situação de acolhimento em oficinas lúdicas e a apresentação de uma cartilha infantil sobre violência sexual. A cartilha, que será lançada em breve em versões impressa e virtual, pode ser colorida e tem brincadeiras que chamam atenção para os serviços de proteção e garantia de direitos.

“O objetivo da cartilha é contribuir para à prevenção e possível interrupção de violências e exploração sexual, nos níveis primário, secundário e terciário, de atuação protetiva, através de uma linguagem lúdica e didática que favoreça a aprendizagem em crianças sobre conceitos de auto proteção, rede de confiança, rompimento do segredo e canais de denuncia”, explica a equipe do SPVV.

Tanto as atividades do Circo Escola Grajaú quanto as oficinas do dia 19 são destinadas a um público restrito e não são abertas à comunidade em geral.

Ações de âmbito municipal

Já na quinta-feira (18), entre 09h e 15h, as ações se concentram no Parque Villa-Lobos, com representantes de toda a cidade durante ações da Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (CMESCA). Ao longo do dia, ocorrem atividades e oficinas sobre: emoções (para crianças entre 06 e 11 anos); homofobia; assédio sexual; uso de drogas; abuso sexual em fluxos de baile funk; diversidade de gênero; sexualidade; prevenção à violência; e perigos da internet.