Na última sexta-feira (19 de maio), o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDECA Interlagos Interlagos reuniu crianças e adolescentes em situação de acolhimento na região em oficinas lúdicas sobre sexualidade e a apresentação de uma cartilha infantil sobre violência sexual.

Os adolescentes dos Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes em Situação de Vulnerabilidade e Risco Social (SAICA) Capela do Socorro, Marilda e Cocaia e da Casa Lar Aldeias SOS Rio Bonito participaram de uma oficina sobre sexualidade com uma educadora da UBS Vila Natal. Além de conhecer o funcionamento dos aparelhos reprodutores masculino e feminino, abordaram os métodos contraceptivos e de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Já as crianças participaram de diferentes atividades, entre elas a ilustração de uma cartilha para colorir e com diversos passatempos que aborda a violência sexual. A cartilha será lançada em breve em versões impressa e virtual. “O objetivo da cartilha é contribuir para à prevenção e possível interrupção de violências e exploração sexual, nos níveis primário, secundário e terciário, de atuação protetiva, através de uma linguagem lúdica e didática que favoreça a aprendizagem em crianças sobre conceitos de auto proteção, rede de confiança, rompimento do segredo e canais de denuncia”, explica a equipe do SPVV.

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Todo dia é dia 18 - atividade com crianças e adolescentes

18 de Maio

A cada 11 minutos uma pessoa é violentada sexualmente no País, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes, e o crime é praticado por familiares ou pessoas próximas da família.

Em 2014, foram realizadas 24.575 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes em todo o Brasil, segundo a Fundação Abrinq. Desse total, 19.165 foram de abuso e 5.410 de exploração sexual (quando envolve dinheiro ou troca de favores). Mas nem todos os casos são revelados, pois envolvem sentimentos de medo, vergonha e culpa.

Para mobilizar a sociedade brasileira contra a violação dos direitos sexuais de crianças e adolescentes, 18 de maio foi estabelecido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em 18 de maio 1973, a menina Araceli de 8 anos foi sequestrada, violentada e assassinada em Vitória (ES). Seu corpo apareceu seis dias depois, carbonizado, e os agressores nunca foram punidos.

Por conta deste 18 de maio, o CEDECA Interlagos se mobilizou para amplificar uma pauta que é cotidiana. A organização localizada no Extremo Sul de São Paulo administra desde 2011, por meio de um convênio com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), o Serviço de Proteção a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência (SPVV) da Capela do Socorro.

Antes disso, desde 2004, o CEDECA Interlagos também atende casos do tipo por meio do Núcleo de Defesa com recursos próprios e provenientes do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

Entre os dias 08 e 12 de maio, o CEDECA Interlagos participou da Semana de Mobilização Nacional pelo 18 de maio no Hotel Nacional de Brasília. Promovido pelo Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes e a rede ECPAT Brasil, junto aos pontos focais representantes dos estados da federação, o encontro debateu como a atual conjuntura política tem resultado em sucateamento das políticas, serviços, programas e projetos – entre eles, os que dizem respeito à infância e à adolescência.

Bloco de Rua na Capela do Socorro alerta população sobre violência sexual contra crianças e adolescentes

Na terça-feira (16 de maio), o CEDECA Interlagos somou forças a demais instituições e órgãos que compõem a Rede Socioassistencial Direta e Conveniada do SAS Capela do Socorro em um Bloco de Rua. Já na quinta-feira (18), as ações se concentraram no Parque Villa-Lobos, com representantes de toda a cidade durante ações da Comissão Municipal de Enfrentamento à Violência, Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes (CMESCA).

No mesmo dia, o psicólogo André Moraes, que atua pelo SPVV, participou do programa do Observatório do Terceiro Setor na Rádio Trianon 740 AM. Clique aqui para ouvir.