Na CBN, por Gabriela Rangel (foto e reportagem)

A maior parte dos 10 mil alunos estrangeiros matriculados em escolas públicas da capital paulista é composta por bolivianos, seguidos por angolanos, haitianos e japoneses.

Somados a esses grupos, em menores quantidades, há outras nacionalidades como sírios, que chegam refugiados de uma guerra civil.

O aluno Mohamed Saragazzi, de 10 anos, é um dos 105 sírios matriculados na rede pública. O estudante da escola municipal Infante Dom Henrique, no Centro de São Paulo, lembra como foi sua adaptação ao chegar ao Brasil há 3 anos.

– “Eu aprendi com os colegas como falava as cores. Eu aprendi passo a passo.”

Repórter: E você falava o quê?

– “Falava Árabe”

Repórter: você demorou quanto tempo para começar a conversar com os amigos?

– “Um mês”

Repórter: Como você fazia para acompanhar as aulas?

– “Eu em casa tenho um tradutor no celular da minha mãe. Também tinha um colega, o Farred, que também é da Síria falava árabe. Ele me ajudou também.”

Repórter: Teve alguma dificuldade?

– “De ler.”

Apesar do aumento de 98% no número de alunos estrangeiros nos últimos anos, as redes municipal e estadual de ensino de São Paulo não possuem diretrizes de como receber e integrar essas crianças.

As ações são iniciativas de cada escola, respaldadas pelas Secretarias de Educação. As unidades têm autonomia para implantar seus programas de ensino, assim o sucesso do aprendizado depende da atuação individual dos educadores.

A Secretaria Estadual de Educação informou disponibiliza para os professores vídeo aulas sobre o ensino para imigrantes. O técnico do Núcleo de Inclusão da Secretaria , Renato Ubirajara, diz que um documento  está sendo elaborado para orientar os profissionais sobre a recepção desses alunos.

– “Este ano vai sair um documento orientador para toda rede com o tratamento, como acolher esse aluno”.

– Repórter: E tem como contar o que norteia esse documento?

– “Tá muito cedo ainda porque está em análise”

No âmbito municipal, as principais ações para lidar com alunos estrangeiros são: um programa de ensino de português para familiares, ainda na fase de implantação e a elaboração de uma pesquisa sobre essa população, como explica a coordenadora pedagógica Leila Barbosa Oliva, da Secretaria Municipal de Educação: “nós prevemos agora no segundo semestre realizar uma pesquisa sobre o perfil e a situação de nossos alunos imigrantes ou de família de imigrantes na rede municipal. É pra gente ter um estudo realmente científico sobre a situação. Nós trabalhamos ainda com percepções”.

Na próxima reportagem, educadores fazem um balanço das políticas públicas voltadas para estudantes estrangeiros e falam sobre suas experiências, os desafios e a oportunidade de apresentar novas culturas para os brasileiros.

A questão da imigração pode ser um caminho para grandes discussões dentro da escola, dos desafios que o Brasil precise enfrentar em relação ao combate à xenofobia, a promoção da diversidade.