Por Kaique Dalapola, na Ponte Jornalismo

A despesa do governo do Estado de São Paulo com materiais para a segurança pública nos últimos sete anos foi três vezes maior do que o gasto com materiais para educação e cultura somados no mesmo período, de acordo com levantamento da Ponte Jornalismo nas informações do Sigeo (Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária), da Secretaria da Fazenda de SP.

Entre janeiro de 2010, primeiro mês disponibilizado pelo governo, e 12 de maio de 2017, última atualização consultada pela Ponte Jornalismo, o governo paulista gastou mais de R$ 4,9 bilhões com materiais voltados à segurança pública, contra R$ 1,7 bilhão em educação e R$ 18,6 milhões em cultura.

Considerando somente o ano de 2017, o governo de São Paulo utilizou R$ 262 milhões com materiais de segurança pública. Os maiores gastos neste ano foram com combustíveis, óleos, lubrificantes e ceras (R$ 179,8 milhões), vestuários, uniformes militar e equipamentos individuais (R$ 17,7 milhões) e materiais bélicos (R$ 10,2 milhões). Os gastos com explosivos e munições, que não entram na categoria “materiais bélicos”, foram de R$ 1,7 milhão.

Considerando os quatro primeiros meses, os gastos em 2017 foram os maiores desde 2014. Veja abaixo o gráfico com as despesas do governo em segurança pública entre janeiro e abril de 2010 a 2017.

Dos gastos que o governo de São Paulo teve com a segurança pública em 2017, R$ 5,4 milhões foram em armas convencionais e R$ 1,7 milhão em cartuchos balísticos. Além disso, houve um gasto de R$ 4,8 milhões com equipamentos e materiais de proteção, que são escudos, capacetes, algemas.

Outro lado

A assessoria de imprensa do governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que “o comparativo sugerido pela reportagem é equivocado e induz os leitores a erro ao tentar comparar áreas que são absolutamente incomparáveis”.

Mencionando os valores totais gastos com as diferentes áreas, a assessoria de imprensa do governo tucano disse que “o Governo do Estado de São Paulo destinou R$ 205 bilhões para a educação e R$ 6,5 bilhões para a área cultural, entre 2010 e 2017”.

Referente às despesas com a segurança pública, a assessoria de imprensa da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), que é administrada pela empresa terceirizada CDN Comunicação, disse que “os recursos empenhados são adequados para manter os compromissos assumidos com despesas de pessoal para um efetivo de mais de 110 mil policiais, além da manutenção de equipamentos e materiais para todos os profissionais”.

A assessoria da pasta, no entanto, não respondeu aos questionamentos acerca da frequência de troca de armamento dos policiais e os possíveis treinamentos de agentes da segurança pública. Sobre essas perguntas, a pasta disse apenas que “valor gasto com armamento e materiais de segurança é compatível com as necessidades ano a ano”.