No Jornal O Globo

Mais de 3 mil adolescentes morrem todos os dias, totalizando 1,2 milhão de mortes por ano, de causas amplamente evitáveis, segundo um novo relatório coordenado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2015, mais de 60% dos casos — cerca de 855 mil, em jovens entre 10 a 19 anos de idade — morreram em países de baixa e média renda em regiões africanas e do Sudeste Asiático. As lesões de trânsito, as infecções respiratórias e o suicídio são as maiores causas de morte entre os adolescentes.

A maioria dessas mortes pode ser prevenida com bons serviços de saúde, educação e assistência social. Mas em muitos casos, os adolescentes que sofrem de transtornos de saúde mental, uso de substâncias ou má nutrição não conseguem obter serviços fundamentais de prevenção e assistência, seja porque eles não são conhecidos ou por não existirem.

Além disso, muitos comportamentos que afetam a saúde mais tarde na vida, como inatividade física, má alimentação e comportamentos de saúde sexual de risco, começam na adolescência.

— Os adolescentes estão totalmente ausentes dos planos nacionais de saúde há décadas — critica Flavia Bustreo, subdiretora geral da OMS. — Investimentos relativamente pequenos voltados para os jovens resultarão em adultos saudáveis e capacitados que contribuem positivamente para suas comunidades.

As lesões na estrada são a principal causa de morte de adolescentes, afetando desproporcionalmente os meninos. Em 2015, elas foram a principal causa de morte de adolescentes entre os 10 a 19 anos, resultando em aproximadamente 115 mil mortes de adolescentes.

No entanto, as diferenças entre as regiões são rígidas. Considerando apenas os países de baixa e média renda em África, as doenças transmissíveis como a Aids, as infecções respiratórias inferiores, a meningite e as doenças diarreicas são as maiores causas de morte entre os adolescentes do que lesões na estrada.

Entre as meninas, o retrato é diferente. A principal causa de morte entre elas, dos 10 aos 14 anos, são infecções respiratórias, como pneumonia — muitas vezes um resultado da poluição atmosférica e a exposição a combustíveis fósseis. Complicações na gravidez, como hemorragia, sepse, parto obstruído e complicações decorrentes de abortos inseguros são a principal causa de morte entre as meninas de 15 a 19 anos.

O suicídio e a morte acidental por auto-agressão foram a terceira causa de mortalidade de adolescentes em 2015, resultando em cerca de 67 mil mortes. A auto-agressão ocorre em grande parte entre os adolescentes mais velhos, e globalmente é a segunda principal causa de morte para as adolescentes mais velhos. É a principal ou segunda maior causa de morte de adolescentes na Europa e no Sudeste Asiático.

Segundo a OMS, as necessidades de saúde dos adolescentes intensificam-se em contextos humanitários e frágeis. Os jovens muitas vezes assumem responsabilidades adultas, incluindo cuidar de irmãos ou trabalhar, e podem ser obrigados a abandonar a escola e casar cedo. Como resultado, sofrem desnutrição, lesões não intencionais, gravidez, doenças diarreicas, violência sexual, doenças sexualmente transmissíveis e problemas de saúde mental.

— Os pais, as famílias e as comunidades são extremamente importantes, pois têm maior potencial para influenciar positivamente o comportamento e a saúde dos adolescentes — destaca Anthony Costello, diretor do Departamento Materno, Neonatal, de Infância e de Adolescência da OMS.