A paciência está no limite: pais, mães, estudantes que moram no Barragem, um bairro localizado no distrito de Parelheiros (Extremo Sul de São Paulo) que fica a mais de 40km do centro da cidade, esperam há quase três anos pela reconstrução de uma escola pelo Governo do Estado. Mas a espera deve continuar: na melhor das hipóteses, a obra só deve ser entregue no primeiro semestre de 2019.

O anúncio foi feito por representantes da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo em uma reunião com moradores do Barragem no último dia 27 de setembro – no mesmo momento em que senadores da Comissão de Constituição e Justiça decidiam pelo adiamento da votação da proposta que reduz a maioridade penal. Enquanto em Brasília a discussão era pela criminalização de adolescentes em conflito com a lei, as famílias que saíram cedo do Extremo Sul para protestar diante das autoridades paulistas aguardavam uma solução para um problema que vem se arrastando.

Em 11 de novembro de 2014, a EE Professora Renata Menezes dos Santos (que atende crianças do ensino fundamental I) foi destruída por um incêndio (pelo que tudo indica, causado por um curto-circuito no ventilador). Na época, as duas opções dadas pelo poder público foram unir as turmas da EE Renata com as do fundamental II e médio da EE Joaquim Álvarez da Cruz (localizada a 02km de distância) ou com a de Santa Fé, em Parelheiros (ainda mais distante).

Os 600 estudantes foram remanejados para o mesmo prédio da EE Joaquim, que passou então a abrigar duas escolas. Mesmo funcionando em outro espaço, a escola incendiada não recebeu nenhum material nos últimos anos e teve todos os funcionários de limpeza demitidos. Para comportar duas escolas em uma, os intervalos entre aulas foram reduzidos de 25 para 15 minutos e as turmas de ensino médio têm uma aula a menos por dia (de 6 para 5 aulas).

Após uma série de reuniões com o poder público e manifestações, as justificativas esbarram na legislação ambiental – o que estaria atrasando a aprovação da obra – e na burocracia estatal. Nesse novo ato, moradores do Barragem conseguiram uma nova promessa do Governo do Estado: as obras devem começar ainda no primeiro trimestre de 2018. Porém, a construção deve levar pelo menos um ano para ser concluída.