Na Agência Brasil

Cerca de 24 milhões de crianças e adolescentes no Brasil tiveram acesso na internet no último ano. Para isso, a grande maioria delas – 91% – usa o celular.

Os dados são da última pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes do CGI (comite gestor da internet no Brasil), divulgada na última quinta-feira (05/10).

O objetivo da pesquisa é monitorar os riscos e oportunidades no uso de internet pelas criancas e jovens. Os pesquisadores alertaram que os pais têm uma baixa percepção sobre os riscos do uso da internet pelos filhos. 69% deles acham que suas crianças e jovens usam internet de forma segura.

Por outro lado mais da metade dos pais relataram utilizar a grande mídia ou familiares e amigos como fontes de informação sobre como ter um acesso seguro na internet enquanto que dois terços não usam a própria internet como fonte.

Os pesquisadores destacaram ainda o percentual baixo de pais que utilizam a escola ou o governo/autoridades locais como fonte de informação e ressaltaram que tanto as escolas como o governo devem se engajar nesse debate sobre o uso seguro de internet pelos jovens.

Outro ponto levantado pela pesquisadora Maria Eugenia Sozio, do Centro de Estudos da Sociedade da Informação ,é sobre a percepção de riscos no acesso à internet, ela disse que o acesso a conteúdo impróprio, como pornografia ou questões relativas a suicido, na internet, é um tema muito abordado pela imprensa, mas que os pais devem também ficar alertas aos chamados riscos de condutas impróprias.

Ela destacou que 23% das crianças adolescentes sofreram ofensas na internet, enquanto que apenas 6% dos pais tiveram essa percepção, um número quase 4 vezes menor.

E para orientar e auxiliar os pais no uso seguro de internet pelas crianças e adolescentes há material produzido pelo Centro de Estudos no site www.internetsegura.br.

Maioria das crianças de classe D e E usam apenas celular

A maioria das crianças e dos adolescentes das classes D e E, pertencentes a famílias que recebem menos de 3 salários mínimos, acessa a internet exclusivamente pelo celular. Segundo a pesquisa, 61% dos jovens de 9 a 17 anos nessa faixa de renda que, no período de três meses, usaram a rede ao menos uma vez fizeram o acesso apenas pelo telefone móvel.

O índice cai para 12% entre crianças e adolescentes das faixas de renda mais altas, classes A e B.

No total dos jovens, 37% acessam a internet apenas pelo celular. Enquanto 54% navegam no mundo virtual tanto pelos dispositivos móveis quanto pelo computador, apenas 7% acessam a rede exclusivamente por computador.

De acordo com o estudo, em relação a toda a população com idade entre 9 e 17 anos, 82%, ou seja, 24,3 milhões de jovens acessam a internet.

O levantamento foi feito com base em 3 mil entrevistas domiciliares com crianças e adolescentes e 3 mil com pais e responsáveis entre novembro de 2016 e junho de 2017.

O índice de uso da rede nas classes D e E é de 66%, enquanto nas faixas A e B fica em 98%. Na classe C, o percentual é de 89% – desses, 34% tiveram acesso somente pelo celular.

Desigualdades regionais e de renda

As regiões Norte e Nordeste foram as que registraram maior número de jovens usuários com acesso exclusivamente pelo telefone, 52% e 49%, respectivamente. Essas também são as partes do país com menor índice de crianças e adolescentes com possibilidade de uso da rede, 73% no Nordeste e 69% no Norte. No Sudeste o percentual entre a população de 9 a 17 anos que navega no mundo virtual é de 91%.

Mesmo com a expansão do uso de telefones móveis, 87% das crianças e adolescentes das classes A e B relataram uso da rede pelo computador, 32% pelo videogame e 34% pela televisão. Pelo celular, o percentual nessa faixa de renda chega a 92%. Nas classes D e E, a navegação pelo computador ficou em 34%, e na classe C em 64%.

Para o gerente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br), Alexandre Barbosa, o celular é um fator de expansão do ingresso à rede, mas o uso exclusivo desse tipo de dispositivo também mostra uma desigualdade no acesso à internet. “A principal barreira para o acesso ainda é o custo da conexão, sobretudo a conexão de banda larga fixa. Então, a banda larga móvel acaba sendo uma forma alternativa desse acesso”, ressaltou durante a apresentação dos dados.

“Há um consenso que a combinação desses dispositivos trazem mais oportunidades. O usuário de telefone celular acaba executando mais atividades relacionadas à comunicação, principalmente redes sociais e mensagens instantâneas”, destacou o pesquisador do Cetic Fábio Senne. “A escola ainda não incorporou o celular como ferramenta de uso pedagógico porque tem certas limitações do que você pode fazer no celular”, acrescentou sobre os problemas do uso unicamente pelos telefones.